
“A vida é o que acontece com a gente enquanto fazemos outros planos”. Essa citação vai de encontro ao que meu coração clama. Sinto como se não tivesse as rédeas da minha vida. Como é possível uma única palavra destruir sonhos inteiros? Não aceito isso. Toda a minha razão, minha “auto-suficiência” vai de ralo abaixo por uma simples palavra? Isto é cruel...
Cadê todo o aprendizado adquirido através de erros e reflexões? Por onde anda toda a minha firmeza de não cometer os mesmos deslizes? Preciso encontra-los rápido... Encontro-me em uma situação que há muito não vivia: a tal da desilusão!
Sabe aquela velha historia de que você não vai mais se doar, vai esperar receber pra só depois dar? Pois é, ela não existe. Só povoa nossos pensamentos nos momentos de amor próprio ferido, de promessas feitas em frente ao espelho. Quando os olhares se cruzam e os corações aceleram, o fôlego descompassa, nenhuma promessa de bastar-se resiste por muito tempo. Aí já viu...
Você resolve apostar mas “sem se envolver”. O engano está em querermos ser apenas metades quando na verdade passamos a ser inteiros, compartilhando momentos nunca antes vividos, pois cada um é único na sua própria forma de amar. Deixamos o tempo passar como se ele fosse transformar o destino em final feliz e não nos damos conta que nós mesmos fazemos nosso destino.
De que vale amar pela metade se podemos viver o infinito quere? Mas na hora da dor serve de consolo. Pensamos “ainda bem que não me doei demais pois estaria sofrendo mais ainda”. Podemos até estar sofrendo menos, mas amamos menos, sorrimos menos, sentimos menos prazer em sermos completos. Aí nos lembramos de como a vida pode nos surpreender e de que, quando menos esperarmos, a roda da vida gira... e mais uma vez olhares se cruzam e corações aceleram, porque a vida só vale a pena se tivermos com quem compartilha-la,mesmo que depois doa, magoe e nos faça entender que não adianta fugir do “envolvimento”. Ele sempre chega pra nos mostrar que ninguém pode ser feliz sozinho...
Uma noite eu tive um sonho... Sonhei que vagava à noite pela cidade, sem rumo, sem direção. Buscava algo que pudesse preencher aquele vazio que inundava meu ser. Cansada de procurar, sentei-me em um banco de praça e comecei a contemplar as estrelas. Estavam lindas, brilhando como nunca havia visto antes. Fechei os olhos por um momento e ao abri-los, tive uma surpresa: havia uma mulher de expressão forte sentada ao meu lado. Seus olhos pareciam ler minha alma. A princípio, assustei-me, então perguntei quem ela era e sorrindo me respondeu:
- Não sabes mesmo quem sou? Sou essa imensa saudade que habita dentro de você...
Por um momento fiquei atônita, sem acreditar no que me acontecia. A única coisa que consegui dizer era que não acreditava ser ela a minha saudade, saudade essa que guardava dentro de mim. Então, mais uma vez, sorrindo, ela me falou:
- Por mais que tentes fugir do que sentes, não podes. Sou aquela que te acompanha eternamente. Aquela que fica depois que tudo e todos vão embora. Sou aquele amigo que partiu, aqueles momentos a dois que não se repetem mais, até mesmo os que nem foram vividos por medo ou orgulho. Sou o teu consolo quando te sentes só. E, por mais que lutes, eu te seguirei pelo caminho, por isso quero que me vejas como uma grande amiga, em quem podes se apegar sem medo.
Na medida em que a Saudade ia falando, sentia meu peito arder em chamas, como se estivesse revivendo tudo outra vez. Conversamos sobre tantos momentos vividos, tantos risos, tantos prantos. E, assim como chegou, partiu meio que de repente...
Levantei-me do banco e comecei a vagar novamente de encontro ao meu destino. Não mais me senti só, mas acompanhada por uma saudade que me enchia o peito e acalentava a alma...

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